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PARTO

Partograma

A evolução do parto é muito variável para cada mulher. Para dar mais objetividade em saber se o parto está evoluindo normalmente ou não foi criado um gráfico de trabalho de parto, chamado de partograma. Esta é uma das principais dúvidas das pacientes: o que é e como interpretar?

Tentarei explicar da maneira mais simples possível e com exemplos práticos. Uma vez a paciente em trabalho de parto, podemos colocar seus dados no partograma (principal erro é colocar fora de trabalho de parto). Nele plotamos a dilatação, a descida da cabeça em relação a bacia, a frequência cardíaca fetal, as contrações, os dados do líquido amniótico, da bolsa e o uso de medicações (Figura 1).

Figura 1:

A folha do Partograma

O retângulo superior é o mais importante. Nele iremos inserir dados sobre a dilatação e a descida da cabeça em relação a bacia, bem como dados da rotação da cabeça dentro da bacia (Figura 2).

Figura 2:

Retângulo superior do partograma, onde anotamos a dilatação, descida e posição da cabeça fetal.

Neste gráfico, colocaremos a dilatação como um triângulo, iniciando uma hora antes da linha diagonal da esquerda, chamada "linha de alerta". Será posicionado de acordo com os centímetros de dilatação determinados pelo toque (escala a esquerda do gráfico). Cada quadrado vertical corresponde a um centímetro de dilatação e quanto mais acima no gráfico, maior a dilatação (nasce com 10cm e costumamos chamar esta medida de dilatação total).

Cada quadrado horizontal representa uma hora de trabalho de parto. A segunda linha diagonal é chamada "linha de ação" e é posicionada 4 horas após a "linha de alerta".

Do lado direito temos a escala da descida da cabeça (Planos DeLee), que vão de -4 a +4. O plano 0 seria a altura de uma estrutura óssea que chamamos de espinha ciática. Quanto mais abaixo no gráfico, mais próximo do nascimento.

Compreendida esta complexa teoria, vamos para prática com um exemplo real.

Parturiente de 40 semanas e 3 dias iniciou o trabalho de parto em casa, sendo orientada a tomar banho, se alimentar, caminhar dentro de casa e dirigir-se a maternidade. Chegou com 5 cm (onde está a ponta do triângulo mais a esquerda). Contrações 3 em 10 minutos, duas fortes e uma fraca, consideradas boas. A cabeça estava em -4 De Lee, ou seja, quase não encaixado. Duas horas depois a cabeça foi para -1 De Lee e 6cm de Dilatação, considerada boa evolução (Figura 3).

Figura 3:

Partograma inicial de parturiente de 40 semanas e 3 dias.

Entretanto, o trabalho de parto seguiu e a dilatação (triângulo), ultrapassou a "linha de alerta". Esta linha indica ao médico: "faça alguma coisa". Esta coisa pode ser usar a bolsa de fisioterapia, banheira, analgesia, rotura das membranas, deambulação e ocitocina, dependendo de cada caso. Para esta paciente, a equipe e a parturiente decidiram instalar a analgesia de parto, considerando que a musculatura pélvica estava muito contraída e a paciente estava com muitas dores.

Figura 4:

Evolução do partograma com a dilatação (triângulo) ultrapassando a "linha de alerta".
A seta indica o momento da instalação da analgesia de parto.

Após a analgesia, o parto voltou a ter dilatação de um centímetro por hora e nasceu 3 horas depois (Figura 5).

Figura 5:

Partograma após a analgesia com nascimento 3 horas após.

Uma simulação de uma partograma que não evoluiria a normal após analgesia pode ser visto na Figura 6. Quando a dilatação ultrapassa a "linha de ação", 10 horas após a internação neste caso, algo tem que ser feito para que o bebê nasça logo e seja garantida a vitalidade. No caso, mesmo com a evolução da dilatação, houve parada da descida da cabeça em 0 de DeLee. Esta situação caracteriza a distocia de estreito médio, que ocorre quando a cabeça não consegue passar pelo local mais estreito da bacia, que é o plano 0 de DeLee. Aqui, a cesárea seria o meio mais adequado de garantir a vitalidade fetal.

Figura 6:

Partograma com distócia de estreito médio.

Entender o partograma pode ser uma forma de dar mais segurança a gestante, entretanto, existem muitas outras variáveis que podem determinar uma cesárea ou um parto normal, assim, o mais importante é estabelecer uma relação de confiança plena com seu Obstetra, tirando todas as suas dúvidas antes ou durante o trabalho de parto.

Dr. Alan Hatanaka
CRM 100513
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia - RQE 51.384
Especialista em Medicina Fetal – RQE 51.384-1

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